Planejamento Financeiro & Orçamento Pessoal

Os Três Pilares da Educação Financeira Para Transformar Suas Finanças Pessoais

Na educação financeira, existem três fatores ou números que 100% das pessoas devem gerenciar ao planejar as finanças pessoais, tanto diariamente, mensalmente, quanto anualmente para o longo prazo (por exemplo, para a aposentadoria), e muitas vezes negligenciar isso pode custar caro. Bom, uma pesquisa realizada pela Leve, fintech de saúde financeira, apontou que 41% dos brasileiros entrevistados sabem pouco ou quase nada sobre educação financeira. Outros 37% afirmam ter apenas conhecimentos básicos, enquanto que 18% sabem o suficiente para organizar as finanças pessoais, além de entenderem um pouco de investimentos, enquanto que apenas 3% dominam o assunto e organizam as próprias finanças habitualmente. Pensando nisso, precisamos falar sobre os três fatores da educação financeira.

Primeiro Fator: Gerenciar os Gastos

Gerenciar os gastos. Calma, eu sei que você pode estar pensando que isso é óbvio, mas você sabe o quanto está gastando mensalmente? Bom, de acordo com a Bradesco Seguros, o ideal é que os gastos essenciais somem no máximo 50% da sua renda. Os gastos essenciais são aqueles que temos todos os meses de forma fixa:

  • Aluguel;
  • Contas de água;
  • Luz;
  • Internet;
  • Plano de saúde;
  • Combustível para o carro;
  • Entre outras despesas fixas.

Eu também fiz algumas pesquisas para ter outras fontes a respeito do assunto, e a maioria dos profissionais da área fala que você deve ter no máximo 60% da sua renda comprometida com os gastos fixos. E se você passa disso, fica mais difícil de seguir com os próximos dois fatores da educação financeira. E agora você pode estar pensando: “mas não tem como, eu tenho que pagar aluguel, financiamento do carro, gasolina, IPVA, contas da casa e mais um monte de boleto que nem sei de onde vem, só nisso já vai toda a minha renda”. Então, isso me faz lembrar a frase do livro A Psicologia Financeira: “tudo tem um preço, mas nem todo preço vem escrito numa etiqueta”. Ou seja, ao comprar um carro, por exemplo, vemos apenas o preço dele, ou até mesmo apenas o preço das parcelas mensais, mas não olhamos para todo o custo embutido por ter o veículo: de manutenção, gasolina, IPVA, multas e por aí vai. Isso nenhum vendedor vai te falar, porém deve-se colocar na ponta do lápis quando vai adquirir um bem material caro como esse.

Mas, tá, se seus gastos fixos excedem os 60% de sua renda, existem duas alternativas: cortar alguns gastos (porém, isso pode ser mais doloroso, de por exemplo vender o carro e comprar um inferior, andar de Uber ou também de transporte público), cortar gastos para conseguir manter no máximo 60% da sua renda com os gastos fixos, ou também focar em aumentar sua renda. Cara, na minha opinião, compensa fazer os dois em conjunto. É impossível falar em educação financeira no Brasil sem abrir mão de alguma coisa. Eu mesmo não tenho carro e ando com uma motinha de modelo antigo, assim consigo ter uma folga bem grande no meu orçamento, se comparado a alguém que tem um carro novo financiado, por exemplo. Mas eu sei, cada um tem uma vida. Não é porque eu faço isso que você também deve ter uma motinha. Às vezes você tem filhos e é preciso levá-los ao hospital, por exemplo, e ter carro é essencial para momentos como esses. Porém, se seu orçamento está apertado, tente cortar alguns gastos fixos que não são tão essenciais assim. Nesses gastos fixos entram transporte, aluguel, contas de água, luz, internet, plano de saúde, seguro, alimentação e tudo aquilo que você tem que pagar mensalmente.

E veja bem, não estou falando de você deixar de pagar plano de saúde caso você pague, e economizar na alimentação comendo só miojo, por exemplo. Eu estou falando para escolher ter gastos fixos com melhor custo-benefício para você e que você consiga mantê-los baixos, sem prejudicar sua saúde, bem-estar e finanças, vivendo assim de forma mais simples, pelo menos por um período da vida. Porque os gastos variáveis sempre aparecem: sempre vai ter aniversário de familiares próximos, todo ano vão ter datas comemorativas, uma hora ou outra você vai precisar comprar roupa, e por aí vai. Assim como diz no livro O Homem Mais Rico da Babilônia: “controle seus gastos, não confunda despesas necessárias com desejos, anote na argila cada uma das coisas passíveis de despesa, selecione as necessárias além de outras cujo custo não ultrapasse 90% de seus rendimentos”. Lembrando que esse livro usa conceitos milenares de cerca de 4.000 anos atrás, por isso ele diz sobre “anotar na argila”, e mesmo assim são bem atuais.

Segundo Fator: O Hábito de Poupar e Aumentar a Renda

Mas agora você pode estar pensando: “mas não tem como, eu já tentei economizar em muita coisa, mas não tem mais de onde economizar, meu salário é muito baixo e viver nesse país está cada vez mais caro”. É por isso que ganhar dinheiro a mais é importante. Eu mesmo fiz uma comparação de alguém que ganha um salário mínimo e alguém que ganha R$ 3.000 por mês, que ainda não é tão acima do mínimo, mas já dá uma diferença boa no orçamento de quem tem educação financeira e sabe administrar o dinheiro que entra.

Porque, se alguém que ganha um salário mínimo conseguisse aos trancos e barrancos economizar R$ 100 por mês para a reserva de emergência, significaria poupar 7% da renda, gastando R$ 1.312 por mês. Agora, se essa mesma pessoa passasse a ganhar R$ 3.000, poderia, por exemplo, poupar para investir R$ 600, sendo 20% da renda, vivendo assim com R$ 2.400. Veja que a pessoa sai daquele aperto de viver só com R$ 1.300 por mês, podendo gastar R$ 1.100 a mais por mês, e ainda poupar muito mais do que antes, quando conseguia de forma bem apertada economizar R$ 100.

E é claro que esse é só um exemplo, e cada um tem uma vida. Além disso, R$ 3.000 no Brasil ainda é um salário baixo, mas com certeza já é muito melhor que sobreviver com salário mínimo. Foi isso que quis dizer: ao ganhar mais, você vai ter uma folga maior no orçamento, podendo investir mais e aumentar um pouco o padrão de vida sem comprometer seu orçamento. Agora, imagina se a pessoa continua focando em ganhar mais, passando dos 5.000, dos 7.000, 10.000, 100.000… E por aí vai sua porcentagem de poupança. Lembrando que, quando digo poupança, não estou falando da caderneta de poupança, não, tá? Digo sobre o quanto você vai poupar para investir ou para formar sua reserva de emergência, até porque a caderneta de poupança não é nem investimento, rende muito abaixo do que qualquer investimento em renda fixa conservador.

O Poder dos Juros Compostos no Longo Prazo

Mas agora, segundo o livro O Homem Mais Rico da Babilônia, “o ouro vem de bom grado e numa quantidade crescente para todo homem que separa não menos de 10% de seus ganhos a fim de criar um fundo para seu futuro e de sua família. Sabendo investir bem, criará um considerável fundo; quanto mais acumular, mais atrairá.” Apenas nessa frase, o autor do livro já diz sobre o efeito dos juros compostos no longo prazo nos investimentos: que você, investindo e recebendo rendimento e, consequentemente, reinvestindo, verá sempre crescer o montante. Mas bom, já já vou falar melhor sobre isso.

O ponto principal desse segundo fator é quanto você poupa mensalmente. Neste livro, ele fala bastante sobre poupar no mínimo 10% da sua renda, e esse pode ser sim um excelente começo, mas veja que isso vai depender muito. Se você ganha, por exemplo, R$ 2.000 por mês, poupar 25% significaria poupar R$ 500 por mês, o que para muitas pessoas ficaria bem apertado no orçamento (viver com apenas R$ 1.500). Então, se hoje você ganha pouco, pode começar poupando 10% ou até mesmo 5% para criar esse hábito de poupar todo mês, mas sempre buscando aumentar a renda.

Porque veja só: se você, por exemplo, ganhava R$ 2.000 e, se especializando na sua profissão, passa a ganhar R$ 5.000, já muda muita coisa. A maioria das pessoas iria começar a gastar todos os 5.000 e voltar para a mesma de sempre, naquela situação de gastar toda a renda todo mês. Porém, se você já tinha educação financeira e poupava pelo menos 10% da renda ganhando R$ 2.000 (ou seja, poupava R$ 200 por mês e vivia com R$ 1.800), passando a ganhar R$ 5.000, você pode até mesmo poupar 40% da renda (ou seja, R$ 2.000) e viver com R$ 3.000. Veja que tanto sua renda, quanto seus gastos, quanto seu aporte mensal aumentaram, por isso é tão importante ganhar mais. Eu sei que na teoria é fácil de falar sobre ganhar 2.000 e passar a ganhar 5.000, na prática é muito difícil e demorado em muitos casos. Mas não é por isso que temos que nos contentar com salário baixo. Então, invista em conhecimento também, assim suas chances de ganhar mais aumentam.

Terceiro Fator: Administrar Seu Patrimônio

Administre seu patrimônio. E é esse que causa aquela grande discussão: no livro Os Segredos da Mente Milionária, é falado o seguinte: “a verdadeira medida da riqueza é o patrimônio líquido e não os rendimentos”. Ou seja, o autor T. Harv Eker argumenta que sua riqueza é tudo aquilo que você tem, seja de patrimônio investido, seja na sua conta bancária, entre outros bens materiais, subtraindo assim o quanto você deve por todas as dívidas que você tem, chegando finalmente no seu patrimônio líquido.

Agora, por outro lado, o maior investidor pessoa física da Bolsa de Valores do Brasil, Luiz Barsi Filho, tem a seguinte frase: “o patrimônio contempla seu ego, enquanto os dividendos contemplam seu bolso”, mostrando que não devemos dar tanta importância assim ao patrimônio e sim aos rendimentos que você recebe por ter investido, pois serão eles que vão pagar suas contas e não seu patrimônio. Mas aí você pode ficar confuso por cada um falar uma coisa, mas a verdade é que, querendo ou não, essas duas frases estão certas, e você vai entender o porquê.

Bom, nos primeiros dois fatores entendemos sobre o controle de gastos e também o hábito de poupar mensalmente para investir. Podemos fazer aquela analogia simples da torneira: que sempre que é aberta libera seu fluxo de renda, ou seja, sua renda mensal que ganhou trabalhando. Agora, se seu recipiente é furado, é impossível poupar; todo mês, toda a sua renda que entra também já vai embora, não restando nada de estoque no recipiente. Agora, se você, por exemplo, procura ganhar mais aumentando seu fluxo de renda e ainda procura controlar os gastos, sempre terá um dinheiro de estoque, vamos dizer assim, que aumenta a cada mês que você poupa uma parcela da renda e também que recebe rendimentos. E lembrando que quanto maior for sua renda e sua capacidade de controlar os gastos, maior será a quantia poupada e, consequentemente, mais rápido irá crescer seu estoque.

O Poder da Renda Fixa e Variável

Mas agora, saindo um pouco dessa ilustração e trocando o nome de estoque para patrimônio, observamos que, à medida que o tempo passa, seguindo ganhando mais e controlando os gastos para poupar, veremos nosso patrimônio crescendo. Mas não é só poupar, e sim aplicar esse dinheiro poupado. O primeiro estoque que todos devemos ter é a reserva de emergência, que deve ser aplicada em investimento de renda fixa com liquidez imediata. Mas tá, a partir do momento que você tiver uma boa reserva de emergência, pode também começar a investir para o longo prazo, com foco em receber dividendos de ações e fundos imobiliários, por exemplo.

Assim, recebendo seus dividendos, vai reinvestindo para se formar aquele efeito de bola de neve de rendimento sobre rendimento no longo prazo. É como diz no livro O Homem Mais Rico da Babilônia: “uma parte de tudo que ganhar pertence a você. Assim, pegue esse tesouro e faça trabalhar para você; façam os filhos dele e os filhos dos filhos dele trabalharem para você”. O que o autor quis dizer nesse trecho é exatamente o conceito de investir mensalmente e reinvestir os rendimentos. Dessa forma, no outro mês irá receber um pouquinho mais por ter reinvestido aquele rendimento que recebeu, assim reinvestindo novamente e assim sucessivamente, separando também uma parcela da renda para investir do próprio bolso. No começo os rendimentos são centavos, porém, à medida que o tempo passa, você vê tanto seu patrimônio quanto seus rendimentos crescendo.

A Mentalidade de um Investidor

Mas agora você pode pensar: “mas então, quanto maior nosso patrimônio, maior nossos rendimentos, né?”. Bom, em linhas gerais sim, por isso que no livro Os Segredos da Mente Milionária é tão falado sobre a questão do patrimônio líquido, e quanto maior ele for, mais você vai receber: dinheiro atrai dinheiro. Para ficar mais didático e arredondar: se você recebe 1% ao mês de rendimentos tendo R$ 1.000 investidos, vai receber apenas R$ 10 no mês. Agora, se você tiver R$ 100.000 investidos rendendo os mesmos 1% ao mês, vai receber R$ 1.000 mensalmente apenas de rendimentos.

Lembrando que, arredondando, esses rendimentos tendem a variar também ao longo do tempo. Até porque, o que o Barsi fala sobre o patrimônio contemplar o ego, é porque ele investe 100% em ações, ou seja, renda variável. Dessa forma, haverá momentos da economia em que as ações estarão em alta, fazendo com que o patrimônio de quem tem ações suba (mercado positivo). Porém, também haverão momentos de crise, onde a maioria das ações estarão subvalorizadas, no negativo.

E para sermos bons investidores de renda variável e nos mantermos no jogo, não podemos nos importar com essas quedas e altas de curto prazo, e sim dar importância pros fundamentos dessas ações e fundos imobiliários, entendendo também que o momento de queda é o momento de comprar mais ações de empresas boas e mais cotas de bons fundos imobiliários a preços mais baixos, recebendo um dividendo proporcionalmente maior quando o mercado voltar a subir, por exemplo. Pois recebemos os dividendos pela quantidade de ações possuídas e não exatamente pelo valor investido. Inclusive, tem uma frase de Morgan Housel do livro A Psicologia Financeira que gosto muito: “mais do que grandes retornos, o que quero é ser à prova de falências. O principal objetivo nos investimentos deve ser ficar no jogo por tempo suficiente para que os juros sobre juros façam sua mágica”. Para quem nunca viu sobre fundos imobiliários e ações, estudar sobre renda variável para iniciantes é o caminho.

A Chave Para a Verdadeira Independência Financeira

Chegar ao ponto em que seus rendimentos superam suas despesas é o que chamamos de independência financeira. Quando você domina esses três pilares básicos — gerenciar gastos, aumentar a sua capacidade de geração de receita e multiplicar o seu patrimônio através de bons ativos financeiros — o tempo deixa de ser um inimigo e passa a ser o seu maior aliado na construção de riqueza.

Diversificação e Inteligência Financeira

A construção de um portfólio robusto não se faz da noite para o dia, exige disciplina, repetição e foco. Uma vez que a sua base está sólida com uma renda fixa garantindo a segurança do seu capital através da reserva de emergência, o próximo passo natural para acelerar seu patrimônio é a diversificação. Explorar o mercado financeiro de maneira inteligente permite que você compre ativos geradores de caixa na baixa e construa um fluxo constante de renda passiva que trabalhará de forma automática na sua conta corretora.

A diversificação, atrelada à educação financeira, eleva os seus resultados. Profissionais que buscam maximizar a rentabilidade do seu dinheiro costumam analisar diferentes classes de ativos, protegendo-se da inflação e focando na segurança a longo prazo. Tudo isso com um único propósito final: fazer com que você nunca mais dependa exclusivamente do seu próprio trabalho para viver de forma confortável.

O Papel do Comportamento no Crescimento Patrimonial

Muitas vezes, a barreira não é apenas matemática, mas puramente comportamental. Manter o controle emocional nas oscilações e crises e resistir bravamente à tentação de inflar o padrão de vida cada vez que sua renda aumenta são os grandes segredos dos investidores de sucesso. O aprendizado no mundo dos investimentos é contínuo. Ao absorver conhecimentos consistentes, alinhar seu comportamento diário e investir estrategicamente todos os meses, o acúmulo de riqueza deixa de ser um objetivo distante e se torna um processo metódico, extremamente poderoso e totalmente alcançável.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo