Quitação de Dívidas & Nome Limpo

Como montar um plano eficiente para quitar todas as suas dívidas

Como Sair das Dívidas e Alcançar o Equilíbrio Financeiro: O Método Definitivo

Se a gente for parar para pensar, quase 100% da população brasileira tem dívidas, até mesmo os ricos e multimilionários. Isso acontece pelo simples fato de que dívida é tudo aquilo que compramos e assumimos que iremos pagar somente no futuro, e não no momento da compra. Por exemplo: financiar uma casa, pagar no crédito ou, no caso de uma loja de roupas, parcelar o pagamento dos fornecedores. Tá, mas o que eu quero dizer com tudo isso? Que dívida não é algo ruim quando conseguimos pagá-la tranquilamente, isso sem prejudicar as finanças pessoais como um todo.

O Problema do Cartão de Crédito e o Efeito Bola de Neve

Agora, também sabemos muito bem que uma grande parte da população não sabe usar de forma correta o cartão de crédito, por exemplo, indo em lojas e assumindo que consegue pagar no mês que vem. Porém, se a pessoa paga apenas a parcela mínima ou deixa acumular para o outro mês, nunca pagando totalmente a fatura do cartão, é a hora que se torna inadimplente.

É quando você assume uma dívida — seja de cartão de crédito, empréstimos ou financiamento do carro, por exemplo — e não consegue pagar por ela, acumulando para o próximo mês e assim virando aquela bola de neve de dívidas que piora à medida que o tempo passa, com juros sobre juros. E é justamente sobre isso que vou falar hoje: sobre como começar a respirar, saindo dessas dívidas e buscando assim um equilíbrio financeiro.

Eu vou dar mais ênfase aqui naquelas dívidas de cartão de crédito e empréstimos bancários, que são as dívidas que mais atrapalham a vida do brasileiro. Tanto que, estatisticamente falando, o maior causador das dívidas no Brasil é literalmente o cartão de crédito. Já aquelas dívidas como o financiamento da casa, que podem ser amortizadas com o passar do tempo, vai ser um tema para uma outra oportunidade, beleza? Eu tô aqui para falar daquelas dívidas bobas que muita gente menospreza de início, pensando “vou pagar no crédito e mês que vem vai ver no que dá”, mas indo assim, empurrando com a barriga por alguns meses, acaba que se vê atolado de contas que não sabe de onde vieram.

A Primeira Grande Lição: Seja Superavitário

Então tá, a primeira grande lição quando falamos de educação financeira, e principalmente de dívidas, é começar a ser superavitário e não deficitário. Calma, não se assuste com os termos, é muito mais simples do que você pensa. Em resumo, alguém com dívidas que não consegue pagar, que está inadimplente, está deficitário, pois está no vermelho, no negativo. Ou seja, as contas são maiores que a renda, não conseguindo arcar com todas aquelas dívidas que tem.

Já alguém que já tem uma reserva financeira e gasta abaixo do que ganha está superavitário, ou seja, está no positivo, pois gasta abaixo do que ganha e investe essa parcela poupada mensalmente, por exemplo. Entendeu a ideia? Enquanto um acaba o mês no positivo, o outro acaba no negativo. Então, o primeiro passo, seja para você que tá com dívidas ou para você que busca o equilíbrio das finanças, é focar em ser superavitário.

Então voltamos agora para a boa e velha escadinha: você sempre deve estar abaixo da renda, ou seja, sempre gaste abaixo do quanto você ganha mensalmente. Então tá, se você já tá gastando abaixo do que ganha e, além de controlar os gastos, também tá focando em aumentar a renda, com renda extra por exemplo, por saber da importância de também aumentar a renda, vamos para a reserva inicial, e você vai entender por que isso é tão importante e por que eu tô falando sobre ela de novo.

A Importância da Reserva Inicial Antes de Pagar Dívidas

Bom, depois falo de outros investimentos que você pode fazer após concluir a reserva inicial. Mas aqui tem um porém: se você tem dívidas, pare por aqui. Pare na reserva inicial mesmo. E, se você não se lembra, a reserva inicial deve ser de R$ 1.000 a R$ 3.000, sendo aquele dinheiro que vai te assegurar. Pois caso aconteça alguma coisa, você consiga pagar sem usar meios como o cartão de crédito ou empréstimos.

Então veja que, principalmente para quem tá endividado, a reserva inicial é importantíssima. Porque, imagina se aparece algum imprevisto enquanto você tá pagando suas dívidas e você não tem dinheiro nenhum para isso? Vai acabar contraindo ainda mais dívidas, já piorando tudo de novo, tentando pagar uma dívida e aparecendo outra. Então, nesse começo, foque em sempre poupar uma parcela da renda para formar logo sua reserva inicial.

O Plano Prático Para Pagar Suas Dívidas

Tendo formado sua reserva inicial, vamos para a parte principal de tudo isso, que é pagar as dívidas. Eu adaptei do plano de Dave Ramsey, o qual ele diz no seu livro A Transformação Total do Seu Dinheiro, que inclusive eu recomendo a leitura. Bom, a ideia principal aqui é você listar todas as suas dívidas, seja no papel ou no bloco de notas do seu celular, listando da menor para a maior, para assim você começar a pagar as dívidas começando pelas menores mesmo.

E você pode estar pensando: “mas eu tenho dívida de R$ 90, pagar nem vai fazer diferença, melhor pagar a de R$ 5.000 primeiro”. Com certeza não vai fazer diferença financeiramente falando. Mas a sensação de progresso por riscar cada dívida quitada vai ser muito boa, fazendo você se manter nesse plano até quitar todas elas, indo uma por uma, começando pelas mais fáceis de pagar. E não importa quantas você tenha, caminhe sempre para frente, da menor para a maior.

O Poder de Barganha e a Reserva das Dívidas

E adaptando esse plano de Dave Ramsey para a realidade brasileira, podemos, além de fazer a reserva inicial e depois começar a pagar as dívidas menores, também fazer a “reserva das dívidas”, vamos dizer assim. Pois você sabe que, tendo dinheiro para pagar 100% da dívida, você pode conseguir pagar com um desconto muito maior, justamente pelo poder de barganha por ter dinheiro para pagar à vista.

E é justamente para isso que existe a reserva das dívidas, que vai servir para, por exemplo, você que tem uma dívida de R$ 2.000 e não consegue pagar de uma vez. Nesse caso, o que muita gente faz é parcelar para conseguir quitar a dívida em alguns meses. Em vez de fazer isso, você pode reservar um dinheiro mensalmente para essa reserva das dívidas até completar o valor de R$ 2.000, e assim fazer o pagamento integral com desconto.

E aí você pode me perguntar: “mas até conseguir juntar R$ 2.000, os juros vão fazer a dívida chegar em R$ 3.000?”. Sim, e é justamente por isso que existe o poder de barganha por ter os R$ 2.000 em mãos. Se você tem dívida com o banco, pode ligar lá e negociar dívidas para pagar R$ 2.000 em vez de R$ 3.000, por exemplo. E o banco quer que você pague, sendo provável que aceite a negociação, até porque você vai pagar à vista.

Bom, é claro que isso foi apenas um exemplo e não leve em conta os números exatos que usei aqui, mas a ideia principal é pagar as dívidas das menores para as maiores e, caso tenha uma dívida muito alta, focar em ter dinheiro na reserva das dívidas para conseguir pagar o valor integral com um desconto muito maior do que parcelar várias dívidas e se perder com todas as parcelas.

Estratégia de Quitação na Prática

Então, por exemplo, se você tá lá com uma dívida de R$ 90, outra de R$ 130, outra de R$ 220 e outra de R$ 3.000, com certeza as três primeiras você vai conseguir pagar mais tranquilamente a cada mês. Agora, quando chegar nessa de R$ 3.000, vai precisar usar da reserva das dívidas, ir poupando dinheiro todo mês para acumular um valor e conseguir pagar essa dívida em específico.

E também use da negociação, principalmente nas dívidas bancárias. Os bancos ligam quase todo dia para cobrar e dão um jeito de renegociar as dívidas nessas ligações. Quando você tiver uma certa quantia já acumulada, pode ser interessante negociar para um valor mais baixo, dizendo que consegue pagar à vista um valor X. Nessa, pode ser que você consiga um desconto bom e quite mais uma dívida. E assim vai até quitar todas elas.

E os bancos gostam de negociar dívidas justamente porque preferem que paguem mesmo com desconto, muito melhor do que deixem acumulando juros e nunca paguem a dívida, por exemplo. Às vezes você tem uma dívida de R$ 4.000, onde R$ 2.000 é só juros. Se você tiver acumulado, por exemplo, R$ 2.500 e oferecer o pagamento à vista, pode ser que consiga quitar a dívida com ótimo desconto. E é justamente por isso que, pagando à vista, nós temos um poder de barganha, um poder de negociação muito maior.

Mas, saindo um pouco do assunto de dívidas, todos nós sabemos que a melhor coisa é não ficar no vermelho, né? Com certeza é muito melhor poupar um dinheiro para você mesmo do que pagar dívidas de contas acumuladas.

Como Manter a Mentalidade Superavitária

A estratégia de pagar as contas da menor para a maior, mundialmente conhecida como o “Método Bola de Neve”, funciona perfeitamente porque ataca o fator comportamental das suas finanças pessoais. O cérebro humano necessita de pequenas vitórias rápidas para manter a motivação em longo prazo. Quando você elimina uma dívida de R$ 90, você não apenas melhora o seu saldo matemático, mas cria uma blindagem psicológica essencial para enfrentar a dívida de R$ 3.000 logo adiante.

A Transição: De Devedor a Investidor

A etapa final deste processo não termina no dia em que o saldo devedor chega a zero. O verdadeiro salto da educação financeira ocorre no mês seguinte. Toda a força de vontade, o poder de negociação e a disciplina de viver com menos do que se ganha — que antes eram direcionados para os bancos e credores — devem ser redirecionados imediatamente para os seus investimentos.

Se você se acostumou a viver de forma superavitária para abater as parcelas e formar a sua reserva de dívidas, o hábito já está estabelecido. Mantenha o seu padrão de vida no mesmo nível e passe a transferir esse valor excedente para fundos atrelados à Selic, CDBs com liquidez diária ou Tesouro Direto. A magia dos juros compostos, que antes trabalhava brutalmente contra você, passará a multiplicar o seu patrimônio. Essa é a chave definitiva para nunca mais voltar ao ciclo do endividamento.

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